Respirei fundo pela terceira vez em frente ao espelho. Tentei
inutilmente esconder minha palidez com o blush rosa, mas não funcionou. Talvez
até mesmo piorou. Mas não estou doente, não. Eu sou assim: pálida, sem graça. É,
alguns que vão ler isso, irão desmentir a minha autoimagem, vão dizer que eu
não devia me sentir assim, mas sempre foi dessa maneira. Sempre me vi exatamente
ao contrário do que ele me idealizava: a garota perfeita, não é mesmo? A riquinha,
meiga, com um rostinho e um corpo bonito. Foi isso que te prendeu aqui durante
esse tempo.
Não. Não adianta dizer que é mentira, dizer que por um
momento você desejou que realmente pudéssemos ter dado certo. Nunca daria. Você
nunca gostou de mim, nunca se importou com o que eu gostava ou sequer pensava. Você
necessitava apenas de alguém do seu lado, somente para não se sentir sozinho.
Mas eu fiz bem mais que isso. Eu fiquei. Voltei. Tentei de
novo. Só para depois você me dizer que eu não lhe serviria nem como amiga.
Tudo bem, é passado. Te exclui da minha vida. Segui meu
caminho como se você nunca tivesse passado por aqui, como se nunca tivesse
deixado uma cicatriz enorme. Conheci novas pessoas, novos lugares. Passei a ver
o mundo com outros olhos.
Tá tudo colorido agora, sabia? Não consigo mais pensar em
você como alguém que me magoou. Você é apenas alguém. Já passou. Já reconstruíram
meu sentimento. Já arrancaram você de mim. E é isso, espero que esteja bem. Espero
que seja feliz. De você eu levo apenas lembranças. Sem tristeza, apenas
lembranças.

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