Pela primeira vez noto o barulho incômodo que o ponteiro do relógio faz. Ajeito a coberta melhor ao redor do meu corpo e abaixo o barulho da TV para ouvir melhor meus próprios pensamentos. Sorrio pra mim mesma. Sozinha. Por quê?
Minha avó diria que eu estou ficando maluca, minha mãe me chamaria de esquisita e minhas amigas pensariam que estou planejando algo. Mas risco todas as três opções e mais uma vez sorrio, quase rio. A explicação é simples, sem enigmas de filmes antigos: talvez, só talvez eu esteja apaixonada.
Limpo minha garganta e percebo meu reflexo na TV – agora desligada – que estou ruborizada. Mal consigo acreditar no que acabei de admitir, mas é só isso.
Não, não vou dizer que amo seu jeito inocente, não vou dizer que você fica lindo de blusa preta ou o quanto eu fiquei mal acostumada com sua mania de ceder todas as minhas vontades. Também nunca vou dizer que tenho crise de ciúmes somente pra ver você dizendo que é só meu ou que talvez eu passe horas sorrindo de seu jeito desengonçado de lidar com sentimentos.
É, não quero que você saiba que planejo um futuro pra nós dois ou fico imaginando sua reação a cada nova idiotice que eu invento. Pois fique sabendo que eu quase nunca te vejo nas músicas de amor, e principalmente naquela que sempre fala que do nosso amor somente a gente sabe.
Isso, minha boca é um tumulo. Vai que eu digo essas coisas e você pensa que eu estou apaixonada. Eu disse só talvez.
Dane-se.
Estou apaixonada por você.

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